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Textos Educativos

28/10/2015
PARA CONSTRUIR O MUNDO QUE QUEREMOS - A ESPERANÇA

A ESPERANÇA

Por Edgar Morin

Se é verdade que o gênero humano, cuja dialógica cérebro-mente não está encerrada, possui em si mesmo recursos criativos inesgotáveis, pode-se então vislumbrar, para o terceiro milênio, a possibilidade de nova criação, cujos germes e embriões foram trazidos pelo século XX: a cidadania terrestre. E a EDUCAÇÃO,que é ao mesmo tempo transmissão do antigo e abertura da mente para receber o novo, encontra-se no cerne DESSA NOVA MISSÃO.

O acaso do século XX deixou como herança contracorrentes regeneradoras. Frequentemente, na história, contracorrentes suscitadas em reação às correntes dominantes podem desenvolver-se e mudar o curso dos acontecimentos. DEVEMOS CONSIDERAR:

·         A contracorrente ecológica, que, com o crescimento das degradações e o surgimento de catástrofes técnicas/industriais, só tende a aumentar;

·         A contracorrente qualitativa, que, em reação à invasão do quantitativo e da uniformização generalizada, se apega à qualidade em todos os campos, a começar pela qualidade de vida (e da educação);

·         A contracorrente da resistência à vida prosaica puramente utilitária, que se manifesta pela busca da vida poética, dedicada ao amor, à admiração, à paixão, à festa;

·         A contracorrente de resistência à primazia do consumo padronizado, que se manifesta de duas maneiras opostas: uma pela busca da intensidade vivida (“consumismo”); outra, pela busca da frugalidade e da temperança;

·         A contracorrente, ainda tímida, de emancipação em relação à tirania onipresente do dinheiro, que se busca contrabalançar por relações humanas e solidárias, fazendo retroceder o reino do lucro;

·         A contracorrente, também tímida, que em reação ao desencadeamento da violência, nutre éticas de pacificação das almas e das mentes.

Pode-se igualmente pensar que todas as aspirações que nutriram as grandes esperanças revolucionárias do século XX, mas que foram frustradaspoderão renascer na forma de nova busca de solidariedade e de responsabilidade.

Poder-se ia esperar, igualmente, que a necessidade de volta às raízes, que mobiliza hoje fragmentos dispersos da humanidade e provoca a vontade de assumir identidades étnicas ou nacionais, pudesse aprofundar-se e ampliar-se, sem negar a si mesma, nesta volta às raízes, ao seio da identidade humana de cidadãos da Terra-pátria.

Pode-se esperar uma política a serviço do ser humano, inseparável da política de civilização, que abriria o caminho para civilizar a Terra como casa e jardim comuns da humanidade.

Todas essas correntes prometem intensificar-se e ampliar-se ao longo do século XXI e constituir múltiplos focos de transformação, mas a verdadeira transformação só poderia ocorrer com a INTERTRANSFORMAÇÃO de todos,operando assim uma transformação global, que retroagiria sobre as transformações individuais.

 

QUE A EDUCAÇÃO ESTEJA A SERVIÇO DESSAS TRANSFORMAÇÕES!

TRABALHEMOS JUNTOS!!!

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